quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Outono da Fé

Cinco minutos. Aqueles cinco minutos em que o sol já se despedia da tarde e aquele horizonte tornava-se utopia em minha vida sem graça. Durante todo o dia, observei o mar na esperança de mergulhar nas profundezas da consciência, procurando artifícios que justificassem aquela atitude impensada daquele dia de verão. 
O outono chegara pra mim nesse entardecer, pois assim como nuas ficam as árvores com o cair das folhas secas, nua também ficou a minha felicidade, quando percebi que os meus sonhos e expectativas já não estavam mais presos aos galhos de minha mente. Sim! O Outono era a minha estação naquele momento; o meu estado de espírito.
Quando a cor alaranjada da tarde já se misturava com o negro da noite e as primeiras estrelas abriam as cortinas para o espetáculo de Deus começar, foi que num adormecer, eu consegui alcançar o horizonte. Era muito mais do que eu havia imaginado. Mais uma vez, eu me via de mãos dadas com a paz, tão entrelaçadas que parecíamos um só. O amor, a compreensão e o respeito nos observavam euforicamente. Minha felicidade, por mais incrível que parecesse, voltava a ser aquela árvore com sua copa rica e dando muitos frutos. Era primavera, lá era sempre primavera.
Despertei. Voltei ao meu mundo. O meu próprio horizonte. Inconformado, desisti de voltar àquele lugar, mesmo que em sonho, porque eu sabia que buscar pelo possível, torna-se impossível quando perdemos a esperança.
Eu vivo aqui, planeta Terra, o lugar onde os nossos sentimentos e valores estão sendo sufocados por nós e nossos semelhantes, dando lugar ao Outono da Fé.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Convívio social: resultado de concepções e individualidades.

Passo horas a fio tentando entender o relacionamento social. Na maioria das vezes, faço isso sozinho. Busco eliminar de dentro de mim as desgraças e tragédias oriundas desse convívio sórdido e imoral, que solapa o bom senso de qualquer indivíduo.
É uma luta diária, onde cada um de nós é obrigado a conviver - e ao mesmo tempo lutar! - com as mesmas pessoas, porque sem elas, talvez, correríamos menos risco de sofrer uma dor interior sobressalente à razão. E quando perdemos a razão, já não temos mais armas para prosseguir na guerra de opiniões.
Visto que o ser-humano está cada vez mais imundo, prepotente, preso a um sensacionalismo desmedido e insignificante, é que podemos perceber como esse convívio tem se tornado insípido e nos tornamos pessoas mais sozinhas - mesmo que não pareça - e imprevisíveis. Entramos num transe, porque achamos que o problema é só nosso e está somente em nós e por isso estamos sós.
Na verdade, as tensões provocadas pela tentativa de enfrentarmos condições que realmente estão além de nossa capacidade ou "reservas de energia" nos têm levado a considerável ansiedade e a uma sensação de inadequação pessoal inconfessada. Essa incapacidade de impormos nossa vontade faz com que a gente reaja com excesso em obstinado desafio e atribua aos outros a culpa dos nossos próprios fracassos. Fracassos que todos os indivíduos, que constituem o convívio, possuem.
Talvez, a compreensão do comportamento das pessoas e, consequentemente, de como temos convivido com elas, esteja em buscarmos entender, e nao aceitar, como querem que façamos, o posicionamento ou a opinião delas. Desse modo, estaríamos amenizando os conflitos gerados a partir do péssimo relacionamento.
O problema é, que na maioria das vezes, não é recíproco. Os outros têm dificuldade de compreender nossa posição em relação a qualquer situação ou afirmação. Surge em nós uma tensão resultante de um sentimento de menosprezo e incompreensão. Sentimos-nos numa posição ingrata, em que a confiança, o afeto e a tal compreensão estão sendo recusados, e que estamos sendo tratados com humilhante falta de consideração.
Julgamos que estão nos negando a apreciação essencial ao nosso amor próprio e que nada podemos fazer a respeito. Desanimados pela luta solitária contra as dificuldade e sem nenhum estímulo, sentimos que não estamos conseguindo nada; que, em vez de admiração que necessitamos, somos sistematicamente incompreendidos. Por isso, queremos fugir à situação mas não encontramos ânimo para tomar a necessária decisão. Em suma: humilhados pela falta de consideração. E quando passamos por humilhação, cometemos loucuras motivadas por vingança e essas loucuras se contrapõem à razão. No final das contas, ainda perdemos a guerra. 
Sensíveis e incompreendidos, mas sob certa tensão, precisamos nos soltar na companhia de alguém que nos seja íntimo, mesmo que esse alguém seja nossa própria consciência.