quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Outono da Fé

Cinco minutos. Aqueles cinco minutos em que o sol já se despedia da tarde e aquele horizonte tornava-se utopia em minha vida sem graça. Durante todo o dia, observei o mar na esperança de mergulhar nas profundezas da consciência, procurando artifícios que justificassem aquela atitude impensada daquele dia de verão. 
O outono chegara pra mim nesse entardecer, pois assim como nuas ficam as árvores com o cair das folhas secas, nua também ficou a minha felicidade, quando percebi que os meus sonhos e expectativas já não estavam mais presos aos galhos de minha mente. Sim! O Outono era a minha estação naquele momento; o meu estado de espírito.
Quando a cor alaranjada da tarde já se misturava com o negro da noite e as primeiras estrelas abriam as cortinas para o espetáculo de Deus começar, foi que num adormecer, eu consegui alcançar o horizonte. Era muito mais do que eu havia imaginado. Mais uma vez, eu me via de mãos dadas com a paz, tão entrelaçadas que parecíamos um só. O amor, a compreensão e o respeito nos observavam euforicamente. Minha felicidade, por mais incrível que parecesse, voltava a ser aquela árvore com sua copa rica e dando muitos frutos. Era primavera, lá era sempre primavera.
Despertei. Voltei ao meu mundo. O meu próprio horizonte. Inconformado, desisti de voltar àquele lugar, mesmo que em sonho, porque eu sabia que buscar pelo possível, torna-se impossível quando perdemos a esperança.
Eu vivo aqui, planeta Terra, o lugar onde os nossos sentimentos e valores estão sendo sufocados por nós e nossos semelhantes, dando lugar ao Outono da Fé.

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